Psicopatologias

Depressões

Quarta maior causa de incapacidade (OMS – 1990). É caracterizada por uma disforia que pode variar de intensidade desde uma oscilação no humor normal (sentimentos de abatimento doloroso ou humor irritável) até um sentimento extremo de tristeza, pessimismo e desânimo. Os sintomas biológicos de depressão incluem transtorno do sono (insônia ou hipersonia) variação diurna do humor, perda de apetite, perda de peso, constipação, perda de libido¹. A revisão da literatura sugere que a TCC é eficaz no tratamento da depressão leve e moderada, mesmo quando aplicada isoladamente. Porém, é necessário fazer um bom psicodiagnóstico e avaliar junto com um médico psiquiatra a necessidade de farmacoterapia aliada a TCC.

 
1. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010. & Campbell, Robert J. Dicionário de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2009.

Transtorno de Humor – Bipolaridade

A Bipolaridade é caracterizada por alternâncias de humor extremas entre euforia e a depressão, que fogem das variações emocionais normais e cotidianas. Além da Farmacoterapia, é recomendado Terapia Cognitivo-Comportamental com o objetivo é educar os pacientes sobre a abordagem do tratamento e as dificuldades comuns associadas com a doença, ensinando a estes métodos para monitorar a ocorrência, a gravidade e o curso dos sintomas maníacos e depressivos, além de melhorar o suporte social e familiar.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo

É caracterizado por obsessões recorrentes (pensamentos repetitivos, invasivos e sem sentido que geram angústia, ansiedade e desconforto), compulsões (comportamento que a pessoa com TOC se vê compelida a fazer para amenizar a angustia, ansiedade e/ou desconforto), ou ambas, que consomem tempo (mais de uma hora por dia), causam sofrimento significativo ou interferem no funcionamento do indivíduo. As obsessões e compulsões são reconhecidas como excessivas ou irracionais. Por exemplo, a pessoa com TOC com compulsão por limpeza/higiene lava muitas vezes a mão, com rituais e com água bastante quente que podem deixar feridas. Isso também ocorre no banho¹. Dentre as alternativas terapêuticas para o tratamento do TOC a TCC está em 2º lugar no ponto de vista dos pacientes em tratamento que relataram melhora ou muita melhora, segundo uma pesquisa de Hollander², ficando atrás apenas da Farmacoterapia (medicação Serotonérgica).

 
1. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010.
2. Hollander, APA, 1996. 

Transtorno do Controle do Impulso

Caracterizado pela falha em resistir a impulsos, pulsões ou tentações de praticar atos que são prejudiciais a si ou aos outros¹. As pessoas com Transtorno do controle do impulso agem sem pensar nas conseqüências. Assim como no tratamento do TOC, o tratamento do Transtorno do Controle do impulso tem como evidências de eficácia publicadas na literatura científica o uso de fármacos serotoninérgicos, Terapia Cognitiva, Terapia Familiar, Terapia Comportamental, e Enfoque Educacional entre outras abordagens. Fazem parte do Transtorno do Controle do Impulso as seguintes psicopatologias:

 

Ohminiomania = comprar patológico;

Dermatotilexomania = skinpicking (ex: arrancar pele dos dedos, pernas, barriga, cutucar feridas ou espinhas).

Cleptomania = roubo insensato ou despropositado, na medida que o objeto roubado não é usado, muitas vezes é devolvida secretamente, ou dado a alguém. Causa grande arrependimento após o ato.

Transtorno explosivo intermitente = O indivíduo não consegue resistir a impulsos agressivos e comete atos de ataque ou destrói propriedade. Esses atos agressivos são desproporcionais a fatores de precipitação.

Internet Compulsiva = pessoas “viciadas” em internet, videogames e celulares.

Mitomania = Mentir compulsivamente

Trochotillomania = Arrancar seus pelos ou cabelos.

Jogar patológico = “viciado” em jogos.

1. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010).

Dependência Química – Grupo de Tabagismo

É definido como um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando uso continuado de uma substância apesar de problemas significativos relacionados à substância. Há um padrão de ingestão de substância repetida resultando em tolerância, sintomas de abstinência se o uso for suspenso e um impulso incontrolável de continuar o uso¹. Também caracterizada por uma síndrome biopsicossocial associada ao uso de uma droga (ou classe de drogas) psicoativa e caracterizada por respostas comportamentais e outras que sempre incluem dar ao uso daquela droga uma prioridade nitidamente maior do que a outros comportamentos que um dia tiveram valor mais significativo¹. A Terapia cognitivo-comportamental ajuda o paciente a desenvolver crenças de controle e estratégias de enfrentamento para lidar com a fissura e prevenir as recaídas. Pode ser usada juntamente com AA e NA, associada a tratamento farmacológico e é bem indicada em casos de comorbidades (ex: depressivo que quer largar o cigarro).

 
1. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010.
 2. Campbell, Robert J. Dicionário de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2009. 

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

Os prejuízos que aparecem geralmente na infância e adolescência, quando não tratados tendem a persistir na idade adulta, sendo que relatos mostram que adultos com TDA-H, têm maior taxa de demissões e ocupam cargos de menor importância. A farmacoterapia é o tratamento de primeira escolha para os indivíduos portadores de TDA-H. Porém, para modificar o funcionamento psicológico e outros domínios, adquirir novas habilidades e alterar comportamentos não adaptativos é recomendado o tratamento com psicoterapia cognitivo-comportamental.

Transtorno Alimentar

Transtorno alimentar é qualquer transtorno caracterizado basicamente por comportamento alimentar patológico.

 

Anorexia nervosa. Transtorno alimentar que ocorre com maior freqüência em adolescentes do sexo feminino, no qual há uma recusa persistente de comida, medo excessivo de engordar, recusa a manter um peso corporal minimamente normal, perturbação na percepção da imagem corporal e amenorréia (ausência de pelo menos três períodos menstruais)¹. O tratamento da anorexia nervosa é multidisciplinar e envolve o paciente e sua família, visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento. O objetivo não é engordar a pessoa, mas sim fazer com que tenha um peso adequado para a sua altura e idade, e que desta forma consiga realizar as suas atividades normalmente.

Bulimia Nervosa. Transtorno alimentar envolvendo episódios recorrentes de compulsão alimentar (i.e., períodos distintos de consumo descontrolado de quantidades anormalmente grandes de alimento) seguidos por comportamentos compensatórios inadequados (p. ex., vômitos autoinduzidos, uso inadequado de laxantes, jejum, exercício excessivo)¹. No Tratamento da bulimia nervosa utilizam-se estratégias cognitivas e comportamentais com o paciente e sua família, com vistas a mudar seus esquemas, crenças e pensamentos e conseqüentemente o comportamento bulímico.

Transtorno de compulsão alimentar periódico. Transtorno marcado por episódios recorrentes de comer compulsivo (i.e., períodos distintos de consumo descontrolado de quantidades anormalmente grandes de alimento) e angústia associada a esse comportamento. Não estão presentes comportamentos compensatórios inadequados (p. ex., vomitar, usar laxantes inapropriadamente, fazer exercícios físicos de modo exagerado, jejuar)¹. O tratamento utilizando a abordagem cognitivo-comportamental visa a remissão dos episódios de compulsão alimentar, redução do peso e tratamento das comorbidades e psicopatologias associadas (como a ansiedade e a depressão, por exemplo).

1. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010.

Transtorno do Sono

Distúrbio persistente de padrões de sono típicos, incluindo a quantidade, qualidade e ritmo do sono, ou a ocorrência de eventos ou comportamento anormais durante o sono. O sono normal difere entre pessoa e idade. O sono normal é aquele considerado reparador, onde a pessoa acorda pela manhã e se sente bem, “descansada”. Neste consultório trata-se de insônia e de pesadelos. A insônia é a dificuldade que a pessoa tem em iniciar ou manter o sono e a mesma tem a percepção de um sono não reparador, mesmo tendo adequada oportunidade e circunstâncias para dormir. Diferentes estudos têm demonstrado a eficácia da intervenção comportamental no tratamento da insônia tanto a curto prazo como em estudos de seguimento¹. O tratamento envolve técnicas empiricamente validadas para insônia e inclui terapia de controle de estímulos, terapia de restrição do sono, técnicas de relaxamento, e abordagem com múltiplos componentes. Outro transtorno relacionado ao sono é o pesadelo. Pesadelo é um sonho aterrorizante ou de outro modo perturbador, no qual medo, tristeza, desespero, aversão ou alguma combinação dessas formas de conteúdo emocional². A psicoterapia cognitivo-comportamental mostra-se útil no tratamento dos pesadelos, sendo observada melhora tanto na freqüência dos pesadelos como na qualidade do sono³. O tratamento envolve técnicas de dessensibilização, relaxamento muscular progressivo e terapia da repetição imaginária.

 
1. Margis, R. Abordagem cognitivo-comportamental no tratamento da insônia. Cordioli AV e cols. Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
2. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010.
3. Margis, R. Terapia cognitivo-comportamental no tratamento da insônia e pesadelo. IN: Caminha R. Transtornos de stress pós-traumático (TEPT): da neurobiologia à terapia cognitiva. Porto Alegre: Casa do Psicólogo, 2005. 

Problemáticas da sexualidade – Disfunções sexuais

Existem diversos tipos de disfunção sexual que são caracterizados por problemas em uma ou mais fases do ciclo de resposta sexual. As disfunções sexuais incluem:

 

1) Transtornos do desejo sexual: transtorno do desejo hipoativo e transtorno de aversão sexual;

2) Transtornos da excitação sexual: Feminina ou masculina, aproximadamente equivalente a frigidez e impotência eretiva em outras terminologias;

3) Transtornos do orgasmo: orgasmo feminino inibido, orgasmo masculino inibido (aproximadamente equivalente a impotência ejaculatória) e ejaculação precoce;

4) Transtornos de dor sexual: dispareunia funcional (dor genital antes, durante e após intercurso sexual) e vaginismo funcional;

5) Disfunção sexual causada por uma condição médica geral;

6) Disfunção sexual induzida por substância (intoxicação ou abstinência)¹.

Se o paciente passou por uma avaliação médica e não há problemas orgânicos, a causa da disfunção sexual é psicológica e a terapia cognitivo-comportamental é uma ótima opção de tratamento utilizando técnicas cognitivas e comportamentais (ex: identificação e correção das crenças errôneas, dessensibilização sistemática, focalização sensorial, start-stop, treino de fantasias, squeeze).

1. Campbell RJ. Dicionário de Psiquiatria 8ed. ARTMED.2009. 

Transtornos de Personalidade

Personalidade é a configuração de pensamentos, sentimentos, características e comportamento que inclui o ajustamento único de um indivíduo à vida, incluindo atrações, interesses, impulsos, valores, auto-conceito, capacidades e padrões emocionais importantes. Pode-se falar da personalidade como uma mistura de fatores temperamentais (determinados pela biologia e que não se consegue mudar) com fatores de caráter (determinados pelo ambiente). O caráter é difícil mudar, mas é possível e este é o nosso foco na psicoterapia. Personalidade normal é a capacidade de enfrentar o ambiente de modo flexível e quando suas percepções e comportamentos típicos estimulam o aumento da satisfação pessoal. Já a personalidade patológica é aquela inflexível, desadaptativa que causam mal-estar subjetivo ou prejuízo funcional significativo. Neste caso, segundo o DSM-IV-TR transtorno de personalidade é um padrão permanente de comportamento e de experiência interna que se desvia notavelmente das expectativas geradas pela cultura do sujeito e que se manifesta em pelo menos duas das seguintes áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal e controle de impulsos. O objetivo da terapia cognitivo-comportamental com estes pacientes é diminuir os sintomas, modular a dimensão temperamental da personalidade, reduzir o prejuízo no funcionamento social e profissional e modificar o caráter ou os esquemas da personalidade.

Transtorno de Ansiedade

Ansiedade é definida como um afeto que difere dos outros afetos em suas características desprazerosas específicas. Ansiedade consiste em um lado somático, fisiológico (respiração perturbada, atividade cardíaca aumentada, alterações vasomotoras, distúrbios musculoesqueléticos, como tremor ou paralisia, sudorese aumentada, etc.) e em um lado psicológico. Este inclui “uma atitude interior consciente específica e um estado de sentimento peculiar caracterizado por:

 

1) Consciência física e mentalmente dolorosa de ser impotente para fazer qualquer coisa em relação ao um problema pessoal;

2) Pressentimento de um perigo iminente e quase inevitável;

3) Alerta tenso e fisicamente exaustivo, como se diante de uma emergência;

4) Auto-absorção apreensiva que interfere na solução efetiva e vantajosa de problemas da realidade; e

5) Dúvida insolúvel com relação à natureza do mal ameaçador, à probabilidade do aparecimento da real ameaça (…)”¹. Ansiedade deve ser diferenciada de medo. Medo é uma reação a um perigo real ou potencial, enquanto ansiedade costuma ser uma reação a um perigo irreal ou imaginado². A Terapia congitivo-comportamental trabalha com técnicas para o controle da atenção e na reavaliação cognitiva do paciente ansioso, modulando a sua percepção emocional e a suas respostas emocionais. São considerados Transtornos de Ansiedade as seguintes psicopatologias:

Transtorno de ansiedade generalizada. Também conhecida como TAG, caracteriza-se por excessiva ansiedade e preocupação com uma variedade de eventos e atividades (por exemplo, acontecimentos mundiais, finanças, saúde, aparência, atividades de familiares e amigos, trabalho ou escola) acompanhadas de sintomas como inquietação, fadiga, incapacidade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e perturbações do sono. A ansiedade ocorre na maioria dos dias e é experimentada como difícil de controlar³. O manejo terapêutico no TAG consiste em reestruturação cognitiva, prevenção do comportamento de preocupação, solução de problemas, manejo de tempo e treinamento em relaxamento.

Transtorno do pânico. São caracterizados por ataques de pânico recorrentes e inesperados, sendo que pelo menos um dos ataques foi seguido por um mês ou com a presença de mais de uma das seguintes características:

(a) preocupação persistente acerca de ter ataques adicionais;

(b) preocupação acerca das implicações do ataque ou suas conseqüências;

(c) uma alteração comportamental significativa relacionada aos ataques. Se a pessoa apresentar ainda ansiedade acerca de estar em locais ou situações de onde possa ser difícil escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível, na eventualidade de ter um ataque de pânico inesperado ou predisposto pela situação, ou sintomas tipo pânico, caracteriza o diagnóstico de Transtorno de Pânico com agorafobia. É importante aqui ter um bom diagnóstico de um médico cardiologista ou endocrinologista para não confundir hipoglicemia, hipertireoidismo e taquicardia com transtorno de pânico, visto que os sintomas são bem parecidos⁴. O tratamento utilizando a abordagem cognitivo-comportamental consiste em psicoeducação, técnicas para enfrentamento de ansiedade, reestruturação cognitiva e exposição para conduta evitativa.

Fobia social. Também é conhecido como Transtorno da Ansiedade Social, é caracterizado por um medo marcante e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, em que a pessoa se sente exposta a desconhecidos ou a possível avaliação dos outros. O indivíduo teme agir de forma a demonstrar a sua ansiedade e receia que este comportamento possa ser humilhante ou embaraços para si. A pessoa tem de fazer algo enquanto sabe que outros estão observando e, em certa medida, avaliando a sua conduta, e isto faz sentir-se ansioso. Alguns exemplos de fobia social são: Falar na TV, ler em público, falar em telefone em público, ser o centro das atenções, assinar em público, falar com pessoas de autoridade, apresentar trabalhos, cantar em público, cumprimentar em público³. O tratamento da Fobia Social utilizando-se da terapia cognitivo-comportamental inclui reestruturação cognitiva, exposição, manejo da ansiedade e treinamento de habilidades sociais.

Fobia específica. É um medo pronunciado e persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de uma situação ou objeto específico. A exposição ao estímulo fóbico provoca de modo quase invariável e imediato uma resposta de ansiedade. A pessoa reconhece que o medo é excessivo e irracional e passa a evitar ou suportar com intensa ansiedade ou sofrimento o objeto ou situação. A evitação, a antecipação ansiosa ou o sofrimento na situação temida interfere de modo significativo com a rotina ou funcionamento ocupacional (ou acadêmico), ou com as atividades ou os relacionamentos sociais normais da pessoa, ou existe um pronunciado sofrimento por ter a fobia. Existem diversos tipos de fobias específicas: tipo animal, ambiente natural (temporal, raios, chuva, tsunami), ferimento, injeção, sangue, situacional (ponte, avião, carro, trem, elevador)⁴. O tratamento neste caso é com terapia comportamental que inclui exposição e habituação.

Reação aguda ao stress. A pessoa que apresenta reação aguda ao stress vivenciou, testemunhou ou foi confrontada a um evento traumático que envolveu morte ou sérios ferimentos, reais ou ameaçadores, ou ainda uma ameaça à integridade própria ou de outros. A resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou horror. Enquanto vivenciava ou após vivenciar o evento aflitivo a pessoa tem 3 ou mais dos seguintes sintomas: sentimento de anestesia, distanciamento ou ausência de resposta emocional, uma redução da consciência quanto às coisas que o rodeiam, desrealização, despersonalização, amnésia dissociativa – isto é, incapacidade de recordar um aspecto importante do trauma. O evento traumático é persistentemente revivido no mínimo de uma das seguintes maneiras: imagens, pensamentos, sonhos, ilusões e episódios de flashback recorrentes, uma sensação de reviver a experiência, ou sofrimento quanto da exposição a lembretes do evento traumático. Apresenta acentuada esquiva de estímulos que provocam recordações do trauma. Há sintomas acentuados de ansiedade ou maior excitabilidade (por ex.: dificuldade para dormir, irritabilidade, fraca concentração, hipervigilância; resposta de sobressalto exagerada, inquietação motora). A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo e prejudica sua capacidade de realizar alguma tarefa necessária, tal como obter o auxílio necessário ou mobilizar recursos pessoais, contando aos membros da família acerca da experiência traumática. A perturbação tem duração mínima de 2 dias e máxima de 4 semanas, e ocorre dentro de 4 semanas após o evento traumático⁴. O tratamento da reação aguda ao stress consiste em técnicas de exposição, manejo de ansiedade, reestruturação cognitiva, terapia do processamento cognitivo e treino de inoculação do stress.

Transtorno do stress pós-traumático. Assim como na reação aguda ao stress, no transtorno do stress pós-traumático, a pessoa vivenciou, testemunhou ou foi confrontada a um evento traumático que envolveu morte ou sérios ferimentos, reais ou ameaçadores, ou ainda uma ameaça à integridade própria ou de outros. A resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou horror. O evento traumático é persistentemente revivido em uma (ou mais) das seguintes maneiras: recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas do evento, incluindo imagens, pensamentos ou percepções; sonhos aflitivos e recorrentes com o evento; agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente; sofrimento psicológico intenso quando da exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum aspecto do evento traumático; reatividade fisiológica na exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum aspecto do evento traumático. Esquiva persistente de estímulos associados com o trauma e entorpecimento da responsividade geral (não presente antes do trauma), indicados por três ou mais dos seguintes quesitos: esforços no sentido de evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas ao trauma; esforços no sentido de evitar atividades, locais ou pessoas que ativem recordações do trauma; incapacidade de recordar algum aspecto importante do trauma; redução acentuada do interesse ou da participação em atividades significativas; sensação de distanciamento ou afastamento em relação a outras pessoas; faixa de afeto restrita; sentimento de um futuro abreviado. Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada (não presentes antes do trauma), indicados por dois (ou mais) dos seguintes quesitos: dificuldade em conciliar ou manter o sono; irritabilidade ou surtos de raiva; dificuldade em concentrar-se; hipervigilância; resposta de sobressalto aumentada. A duração da perturbação é superior a um mês. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo⁴. A Terapia Cognitivo-comportamental para tratamento de TEPT consiste em reestruturação cognitiva a respeito do evento traumático e reorganização e modificação das memórias relacionadas ao trauma.

1. Piotrowski ZP,1975 in Campbell RJ. Dicionário de Psiquiatria 8ed. ARTMED.2009.
2. Campbell RJ. Dicionário de Psiquiatria 8ed. ARTMED.2009.
3. Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010.
4. DSM-IV-TRTM.