Psicoterapia para Crianças e Adolescentes

A maneira como cada um interpreta determinado evento contribui para o significado atribuído e terá conseqüências comportamentais e emocionais para o indivíduo. A Terapia Cognitivo-comportamental busca, através de experiências reais, prover sentido, acessando propositalmente o conteúdo trazido pela criança ou pelo adolescente. A tarefa do terapeuta é assistir a criança e o adolescente na produção do conhecimento, gerando suas próprias soluções. O terapeuta tem o papel de treinador, ajudando a criança ou o adolescente a gerar alternativas, pensar nas conseqüências de seus atos e fazer planos. Juntos, vamos construir alternativas para parar e pensar antes de agir.

Depressão Infantil. Os sintomas da depressão infantil podem diferir dos episódios depressivos maiores em adultos, no sentido de que o humor irritável é mais característico do que o humor depressivo, e o fracasso em atingir o aumento de peso esperado freqüentemente substitui uma perda de peso real. (Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre, Artmed, 2010). Geralmente está associado a outro problema, tais como a ansiedade, melancolia, falta de vivacidade, regressão, dificuldades escolares e problemas de relacionamento com os colegas. A depressão em crianças e adolescentes tem como prerrogativa principal de atendimento o uso de psicoterapias, sejam elas individuais ou grupais.

Transtorno Bipolar na Infância e adolescência. A etiologia genética do TB tem uma estimativa de peso de 80% para o fator genético. A descrição clínica do TB inclui: Humor elevado, humor irritável, auto-estima inflada e grandiosidade, diminuição da necessidade de sono; pressão por falar; atividades direcionadas a objetivos; atividades excessivamente prazerosas, julgamento pobre, correr riscos e achados de depressão. Alguns sintomas de Bipolaridade que diferenciam do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: Elação, grandiosidade, fuga de idéias – aceleração do pensamento, diminuição da necessidade de sono e hipersexualidade.

Impulsividade. A impulsividade tem etiologia multifatorial e é recorrente nas patologias com forte substrato orgânico, como o Transtorno de Déficit de Atenção Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Bipolar (TB). Outro aspecto associado ao comportamento impulsivo é a raiva e suas manifestações. A impulsividade com expressão na forma de comportamento agressivo tem, na sua maioria das vezes, impacto social e repercussão nos relacionamentos interpessoais que a criança necessita reconhecer para poder modificar essa conduta, e isso é possível através da terapia cognitivo-comportamental.

Transtorno de Déficit de Atenção Hiperatividade. O TDA-H se caracteriza por sintomas marcantes de hiperatividade, desatenção e impulsividade, além de um quadro clínico bastante heterogêneo. Os sintomas devem ocorrer de forma freqüente e trazer prejuízo relevante para o sujeito, em pelo menos dois contextos. Pessoas com TDA-H geralmente apresentam uma maior dificuldade em concluir estudos, maior índice de repetência, suspensões e expulsões de escolas, além de um rendimento inferior em relação aos pares. A farmacoterapia é o tratamento de primeira escolha para os indivíduos portadores de TDA-H. Porém, para modificar o funcionamento psicológico e outros domínios, adquirir novas habilidades e alterar comportamentos não adaptativos é recomendado o tratamento com psicoterapia cognitivo-comportamental.

Transtorno do Comportamento Disruptivo. Esta categoria inclui o transtorno desafiador de oposição (TDO) e o transtorno de conduta (TC). É um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou as normas ou regras sociais importantes próprios da idade (Dicionário de Psicologia da APA. Porto Alegre: Artmed, 2010). Os comportamentos desadaptivos se agregam em quatro eixos: 1) Conduta agressiva causadora ou com perigo de lesões corporais a outras pessoas ou animais; 2) Conduta não agressiva que causa perdas ou danos ao patrimônio; 3) Defraudação ou Furtos; 4) Sérias violações de regras. As abordagens cognitivo-comportamentais têm se mostrado eficazes no tratamento dos transtornos disruptivos, mais especificamente os programas de Treinamento para os Pais (TP).

Transtorno de ansiedade. Segundo a OMS, os Transtornos de Ansiedade são os que mais afetam as crianças e adolescentes, com uma prevalência entre 4 e 20%. A ansiedade é uma resposta humana normal que está presente em todas as pessoas, porém têm-se como parâmetros intensidade, freqüência e duração dos sintomas para estabelecer diagnósticos na infância e no adolescente. O Transtorno de Ansiedade compreendem as fobias específicas, os transtornos de ansiedade generalizada, a fobia social e o transtorno de ansiedade de separação. Os conteúdos dos medos das crianças têm sido definidos em cinco fatores preponderantes: medo de críticas ou de falhar; medo do desconhecido; medo de ser machucado ou de pequenos animais; medo de perigos ou de morte; medo de doenças físicas. Nem toda a resposta ansiosa por parte da criança pode ser considerada patológica, é necessário uma avaliação de um psicólogo ou um psiquiatra. Estudos sugerem que as crianças com transtorno de ansiedade respondem bem a terapia cognitivo-comportamental, tanto em grupo, quanto individual, porém aquelas com alto escores em ansiedade social parecem responder preferencialmente a tratamento individual.